Aos 84 anos, faleceu hoje, no Hospital, por volta das 15h00, Maria Flávia de Monsaraz (1935-2019). Filha de Alberto Monsaraz, conde de Monsaraz, foi introdutora em Portugal da nova tapeçaria e da astrologia kármica, humanista, transpessoal e psicológica, baseada em Carl Gustav Jung e Dane Rudhyar e nos ensinamentos do Taoísmo e de Djwal Khul. Em 1987, fundou o Quiron – Centro Português de Astrologia, escola pela qual passaram até ao presente milhares de alunos (cerca de 400 por ano). O seu pensamento ficou expresso em cerca de 40 livros e CDs da sua autoria e em entrevistas televisivas dadas a alguns dos maiores nomes do audiovisual português, deste Miguel Sousa Tavares e Maria João Seixas a Teresa Guilherme e José Carlos Malato, etc.

 

SOBRE MARIA FLÁVIA DE MONSARAZ

Maria Flávia de Monsaraz nasceu em Madrid, em novembro de 1935, filha do poeta e conde Alberto de Monsaraz, tendo vivido sempre uma obsessiva e permanente interrogação sobre o sentido da Vida.

Aos 16 anos, entrou na Escola Superior de Belas Artes (ESBAL), onde se formou em Escultura. Aderiu também à Juventude Universitária Católica (JUC), então dirigida por Maria de Lourdes Pintasilgo.

Em 1964, com uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian, fez uma pós-graduação em Pintura Mural, dada pela Escola das Artes Decorativas de Paris, cidade onde permaneceu até 1969. Ali viveu, aliás, o maio de 1968, tendo feito amizade com Mário Soares.

Ao regressar a Portugal, trabalhou durante 15 anos num novo tipo de tapeçaria, a “Nova Tapeçaria”, de que foi pioneira em Portugal. Tem uma obra comprada pela UNESCO numa exposição internacional de artistas mulheres, uma obra no Museu Soares dos Reis no Porto, uma obra que inaugurou o Museu de Arte Moderna da Gulbenkian e outra na colecção do Banco de Portugal. Nos anos 70 e 80, foi também sócia e gerente do Metro e Meio, um bar emblemático na Lisboa de esquerda, ponto de encontro da Lisboa boémia e sede do debate político.

Em simultâneo, estudava e aprofundava o conhecimento da astrologia, que sempre a fascinou, desde uma consulta informal com o amigo Alberto Vaz da Silva. A partir de 1985, depois de um congresso de Astrologia, efectuado no Brasil, que abriu com uma palestra, a sua vida “revolucionou”, tendo mudado integralmente de rumo.

Na sequência desse evento, fundou, em 1987, o Quiron – Centro Português de Astrologia, juntamente com 11 outros astrólogos, como Paulo Cardoso, Luís Resina e Margarida Amaro. Através dessa escola, iniciou um caminho que a tornou responsável pela refundação da Astrologia em Portugal e pela formação de várias gerações de astrólogos, bem como pela introdução das terapias de Reiki em Portugal. O seu pensamento alternativo sobre a Vida e sobre o mundo chegou a milhares de alunos, do povo às elites sociais, culturais, políticas e económicas do país.

Mais do que uma astróloga, foi autora de uma síntese teórica própria daquilo que é chamado por Ciência Esotérica (que resulta da simbiose entre o esoterismo e a explicação do que é considerado mundo do oculto e da doutrina e dos valores do cristianismo, do budismo e do Taoismo), pensamento doutrinário próprio que desafia, interpela e provoca o racionalismo ocidental, o qual deixou em cerca de 15 livros e mais de 20 CDs. Na televisão, desde os anos 80 até ao presente, foi entrevistada pelas mais populares figuras do panorama audiovisual português, incluindo Joaquim Letria, Miguel Sousa Tavares, Maria João Seixas, Teresa Guilherme, José Carlos Malato, etc.

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